Oferta limitada no Brasil sustenta rentabilidade
Alberto Komatsu22/12/2011
A desaceleração da economia mundial não vai afetar o desempenho das redes de hotéis no Brasil no encerramento de 2011 nem no ano que vem. Especialistas do setor estimam que nesses dois períodos o setor deverá mostrar taxas de crescimento entre 10% e 20% nos seus principais indicadores, rentabilidade e diária média, respectivamente. O maior impulso virá do forte crescimento da demanda versus a limitada oferta de quartos nas principais capitais do país, especialmente em São Paulo.
Em 2012, o principal indicador de rentabilidade dos hotéis cresceu 17,3% diante de 2009, o melhor resultado da história segundo a consultoria Jones Lang LaSalle Hotels. Conhecido como revpar, esse índice é obtido com o cruzamento das médias das diárias e das taxas de ocupação. Para 2011, a projeção é de crescimento em torno de 15%. Para 2012, acima de 10%, segundo o diretor da Jones Lang LaSalle Brasil, Ricardo Mader.
"A economia continua crescendo, aquecendo a demanda. Por outro lado, não há um aumento proporcional da oferta", afirma Mader. O último levantamento da performance do setor hoteleiro em 2011 é do terceiro trimestre, elaborado pela HotelInvest. O sócio-diretor da consultoria, Diogo Canteras, afirma que a média de revpar de cinco capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Salvador) ficou em 15,74%, na comparação anual.
A única capital que registrou recuo no revpar foi Salvador. "Com a volatilidade do dólar, a cidade de Salvador perdeu eventos, que foram realizados no litoral norte da Bahia", afirma Canteras. Segundo ele, o revpar no encerramento de 2011 nas principais capitais deve oscilar entre 18% e 20%, exceto Salvador, que poderia distorcer a média por causa da volatilidade da capital baiana. Considerando-se apenas Salvador, o crescimento projetado é de 5% neste ano.
Na diária média, as cinco capitais analisadas pela HotelInvest registraram média de crescimento de 17,56% no terceiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2010. O melhor desempenho foi obtido em Curitiba, com aumento de 24,9% nesse indicador. A segunda melhor média foi registrada em São Paulo (20,8%), seguida por Rio (18%), Porto Alegre (15,6%) e Salvador (8,5%).
Dados preliminares da consultoria apontam para um aumento médio entre 15% e 20% da diária média no encerramento deste ano, nas cinco capitais analisadas pela consultoria. Canteras diz que a tendência para 2012 é a de a diária média oscilar dentro desse intervalo de 15% a 20%. "A recuperação do mercado se dá menos pela taxa de ocupação e mais pela diária média", afirma ele.
Pesquisa da Carlson Wagonlit Travel (CWT), a maior agência de turismo corporativo do mundo, indica que os reajustes de diárias de hotel em 2012, no Brasil, podem alcançar até 34,1%, o maior percentual do mundo. Na América Latina, a média de aumento poderá alcançar até 12,2%.
A taxa média de ocupação dos hotéis das cinco cidades avaliadas pela HotelInvest registraram queda de 1,22% no terceiro trimestre, ante igual período de 2010. Para 2011, Canteras estima que os hotéis do Rio terão taxa média de ocupação de 83%, seguidos pelos de Porto Alegre, com 75%, São Paulo e Curitiba, ambos com média de 72%, e Salvador, com taxa de 66%. A pesquisa da HotelInvest engloba 20 mil quartos nas cinco cidades, ou 30% da oferta nessas capitais.