Empresas tentam evitar uma nova ‘bolha’ de flats
Marina Gazzoni27/01/2012
Depois de uma década estagnado, o mercado de flats se prepara para receber uma onda de investimentos. O segmento virou “mico” no início dos anos 2000 por excesso de oferta. Mas, agora, o Brasil precisa de mais quartos de hotel e as incorporadoras retomaram os lançamentos.
Para evitar uma nova bolha, o Sindicato da Habitação (Secovi) elaborou o manual Melhores Práticas para Hotéis de Investidores Imobiliários Pulverizados, que será lançado hoje.
Essa é a primeira vez que o setor imobiliário se reúne para discutir um parâmetro para hotéis e flats. O documento foi desenvolvido dentro do Núcleo Turístico, Imobiliário e Hoteleiro do Secovi, que reúne as principais empresas do setor. Ele sugere, por exemplo, que todo empreendimento tenha um estudo de viabilidade econômica, com previsão de demanda e rentabilidade, feito de acordo com a metodologia do Appraisal Institute, dos EUA.
“Criamos uma referência de bom produto hoteleiro para orientar os investidores. E, se algum deles comprar algo incompatível com o que definimos, ele terá um subsídio para entrar na Justiça”, disse Diogo Canteras, presidente da consultoria HotelInvest e coordenador do grupo que elaborou o manual.
Hoje, o País tem 7,8 mil hotéis e 370 mil quartos para hospedagem, segundo estimativas da HotelInvest. Mas há demanda para adicionar 20 mil novos quartos à oferta do País por ano, um investimento anual de R$ 4 bilhões, segundo a consultoria. “Isso pode ser feito indefinidamente, só acompanhando a expansão da economia”, disse Canteras.
A expectativa do mercado é que 70% dos hotéis sejam financiados por meio de investidores pulverizados. São pessoas físicas, que compram unidades ou cotas de hotéis para ganhar uma renda mensal.
Prejuízos
No início dos anos 2000, muitos investidores tiveram prejuízo no segmento, principalmente em São Paulo. “Eram comuns relatos de pessoas que pagaram R$ 250 mil por um flat em 2000 e venderam por R$ 60 mil três anos depois”, disse o consultor Caio Calfat, coordenador do núcleo de hotelaria do Secovi.
Os investidores ficaram tão traumatizados que ninguém no mercado deve ousar lançar um empreendimento como “flat”. Agora, eles voltam com o nome de “apart-hotel” ou “condo-hotel”.
O empreendimento que marcou a retomada da expansão da oferta em São Paulo foi o hotel Ca’D’Oro, lançado na rua Augusta pela Brookfield em setembro de 2011. Seis horas após o lançamento, todas as 147 unidades do apart-hotel estavam vendidas, a um preço médio de R$ 400 mil.
“O mercado está pedindo produtos de hotelaria e eles entraram de novo no nosso radar”, disse o diretor de incorporação da Brookfield, Ricardo Laham. A incorporadora estrutura o lançamento de um hotel em Santo André (SP) com uma rede internacional, que também será vendido a investidores do varejo.
O Ca’D’ Oro chegou ao mercado com modelo que prevê adesão compulsória ao “pool” de locação e gastos com decoração embutidos no preço do imóvel. Segundo os especialistas, esse será o formato padrão dos novos “flats” — ou apart-hotéis — que serão lançados daqui para a frente.
Faça o download do manual clicando no link abaixo:
http://www.secovi.com.br/contaclique.aspx?idDownload=316