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HotelInvest na Mídia

Hotéis vão ter de reduzir diárias médias neste ano

João José Oliveira
11/05/2015

O setor hoteleiro vai enfrentar até o fim deste ano ambiente tão adverso quanto 2014, quando a taxa de ocupação caiu em quatro das seis principais regiões metropolitanas do país, aponta a HVS, líder mundial em consultoria hoteleira, por meio do estudo anual Panorama da Hotelaria Brasileira, que o Valor antecipa.

"O setor hoteleiro está vivendo um tradicional ciclo de baixa, quando o excesso de oferta provoca queda da taxa de ocupação, depois, de tarifa e, finalmente, deprecia o ativo", diz o diretor geral da HVS no Brasil, Cristiano Vasques. "Cada fase dessa dura cerca de um ano. Tivermos a queda da taxa de ocupação em 2014. E 2015 será marcado por queda de diária média", disse o sócio da empresa, Diogo Canteras.

Com pouco espaço para ampliar receita por causa da taxa de ocupação estagnada, as redes de hotelaria vão buscar segurar custos para manter margens operacionais um desafio tão grande quanto faturar mais. "Os principais itens de custos, como mão de obra, energia e água vão subir este ano. Por isso, o Ebitda [lucro antes de juros, impostos e depreciação] deve cair", prevê Vasques.

O atual ciclo de baixa começou porque as principais redes hoteleiras que operam no país aceleraram os programas de lançamentos de olho na procura por hospedagem que grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíada poderiam criar no Brasil. Mas a demanda deixou a desejar.

"Quando os projetos foram lançados, entre 2010 e 2012, o Brasil era outro país", diz o executivo da HVS responsável pelo estudo, Pedro Cypriano. "A economia crescia em média 5% ao ano, os juros [nominais] eram de 7%. Hoje, a economia está em recessão e os juros dobraram", aponta. "Mesmo que a economia estivesse bem, em alguns lugares haveria excesso de oferta".

Belo Horizonte é um exemplo desse processo. Em 2014, a oferta hoteleira na cidade cresceu quatro vezes mais que a demanda. Resultado: a ocupação caiu 15,6%, a diária média cedeu 2,9% e a receita por quarto disponível (RevPar) recuou 18%. "E muita oferta entrou no último trimestre de 2014, o que significa que a tendência permanece em 2015", afirma Cypriano.

Para a HVS, o mesmo fenômeno vai ocorrer na Barra da Tijuca, na capital fluminense, puxando para baixo a média da cidade. "O Rio ainda está bem, por causa da Zona Sul, mas vai ter indicadores estagnados este ano por causa da crise do setor de óleo e gás", aponta Vasques.

Na média, a hotelaria fluminense elevou a diária média em 5,7% e o RevPar em 1,4%, mesmo com queda de 4,1% na taxa de ocupação em 2014 ante 2013. "Isso foi possível graças ao upscale [hotelaria de luxo], que esteve muito bem na Copa", disse Canteras. Os hotéis cariocas de alto padrão faturaram 11% mais em RevPar ano passado, mas a hotelaria econômica perdeu 4,3%.

Esse fenômeno também ocorreu em São Paulo, diz a HVS. Na capital paulista, a demanda pelos hotéis de luxo elevou em 2,5% a taxa de ocupação e em 10,3% o RevPar. Já na classe econômica, a hotelaria paulistana perdeu 2,7% em receita por quarto, apesar de uma taxa de ocupação 1% maior.

"São Paulo e Rio [exceto Barra da Tijuca] são mercados hoteleiros que vão reagir bem quando a economia brasileira recuperar o ritmo, a partir de 2016, porque não têm excesso de oferta", diz o diretor da HVS, Vasques.

Já Belo Horizonte tem um ciclo de dois anos de retração em indicadores operacionais,  enquanto Salvador, Porto Alegre e Curitiba devem apurar crescimento marginal nesse período, prevê a HVS.

Essa estagnação da receita entre 2014 e 2016 tende a conter o ímpeto de lançamentos de novos hotéis porque está mais difícil atrair investidores para projetos hoteleiros. "A taxa de retorno projetada para cada unidade em alguns mercados é hoje menos da metade do que era previsto em 2010", diz Vasques.

Além disso, lembra o sócio da HVS, Diogo Canteras, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde o fim de 2013 vem exigindo mais informações e sendo mais rigorosa para liberar projetos de condohotel quando um novo prédio de hotel é financiado por investidores individuais que compram um ou mais quartos. "Os operadores hoteleiros falam em 260 empreendimentos em desenvolvimento hoje [de contratos assinados ou em construção], mas na CVM o volume de projetos que entrou é muito menor", diz Canteras.

Segundo a CVM, apenas 33 processos relacionados a novos empreendimentos hoteleiros por meio de condo-hotel chegaram ao órgão desde o fim de 2013. Desses, 13 ainda estão sob análise. 

Ver notícia original em: http://www.valor.com.br/empresas/4043530/hoteis-vao-ter-de-reduzir-diarias-medias-neste-ano