Estado de São Paulo
Diogo Canteras05/02/2012
O setor imobiliário do Brasil acaba de ganhar um instrumento que deverá ser um marco no desenvolvimento e na incorporação de empreendimentos hoteleiros viabilizados através do mercado de investidores imobiliários pulverizados, sejam eles apart hotéis, condo hotéis ou mesmo hotéis em fundos de investimento imobiliário.
O SECOVI, em parceria com as principais entidades do setor hoteleiro e com a ajuda de renomados especialistas da área, acaba de elaborar o Manual de Melhores Práticas para os Hotéis de Investidores Imobiliários Pulverizados (HIIPs).
Felizmente, já vai longe o tempo das brigas intermináveis das Assembleias dos apart hotéis. Hoje, a maioria dos mercados está se recuperando e os apart hotéis já apresentam uma rentabilidade interessante. Os investidores, entretanto, não esqueceram os seus antigos problemas de rentabilidade.
Para os investidores é claro que os apart-hotéis (ou os HIIPs, para usar a denominação mais abrangente) são produtos imobiliários, mas são produtos imobiliários especiais: são produtos imobiliários de investimento. O comprador desses produtos não tem a intenção utilizá-los fisicamente, está atrás da sua rentabilidade.
É por isso que nos Estados Unidos a viabilização dos condo-hotéis passa por um registro na SEC (Securities and Exchange Commision - o equivalente americano da nossa CVM). Lá o condo-hotel é de fato e de direito um produto de investimento (uma securitie), e a responsabilidade de quem o estrutura só termina com a entrega do produto de investimento completo, atingindo as expectativas que foram vendidas para os compradores, inclusive as expectativas de rentabilidade.
O Manual de Melhores Práticas dos HIIPs vem preencher exatamente essa lacuna que existia no Brasil. Ele disponibiliza parâmetros, referências e procedimentos que permitem caracterizar, de maneira objetiva, o que é um bom produto imobiliário de investimento hoteleiro.
Com essas referências e parâmetros ficam claras as responsabilidades dos envolvidos na estruturação e na venda desses empreendimentos, assim como os direitos de quem os adquire que, na eventualidade de maus produtos, poderá até reverter a compra por força do Código do Consumidor.
O mercado de investidores imobiliários pulverizados é responsável por mais de 70% dos empreendimentos hoteleiros desenvolvidos no Brasil nos últimos 20 anos. Isso mostra a relevância desse Manual não apenas para o setor hoteleiro, mas também para o setor de incorporação imobiliária, que tem sido o grande responsável pela viabilização desses empreendimentos.
O desenvolvimento desses empreendimentos de forma mais profissional e consciente permitirá que os incorporadores imobiliários continuem a explorar o setor hoteleiro; mas agora de maneira sustentável, sem matar a “galinha dos ovos de ouro” a cada ciclo de desenvolvimento. Ao mesmo, tempo melhoram substancialmente as perspectivas dos investidores hoteleiros, na medida em que se viabilizam empreendimentos com melhor rentabilidade e em que se diminuem os riscos de super-oferta.
Como disse a Dra. Márcia Rezeke na sua participação no último CONOTEL: “O mercado de desenvolvimento de empreendimentos hoteleiros no Brasil terá dois momentos: antes e depois do Manual de Melhores Práticas dos HIIPs”. A clareza de responsabilidades e a previsibilidade de mercado trazida pelo Manual permitirá desenvolver produtos imobiliários de investimento hoteleiro com características de rentabilidade e risco que os tornarão excelentes opções de investimento para quem busca renda de longo prazo.
O mercado hoteleiro do Brasil entra agora em um novo ciclo de desenvolvimento. O crescimento da demanda aponta para um desenvolvimento sustentável de mais de 20.000 novos quartos por ano. Com as novas perspectivas trazidas pelo Manual esse novo ciclo deverá substancialmente mais longo que os anteriores e produzir empreendimentos que não só serão bons hotéis, mas também excelentes investimentos.